Atividade garantiu que pontos focais e comitês pudessem se conhecer, criar estratégias e firmar parcerias.
Nos dias 21 e 22 de março aconteceu o Encontro Estadual de Organização da Marcha do Paraná, na APP Sindicato, promovido pela RMN-PR, com o propósito de reunir as lideranças dos comitês regionais, pontos focais, aliados e parceiros nesta mobilização que visa 1 milhão de mulheres negras em Brasília, no dia 25 de novembro de 2025.
Mulheres negras, negras lésbicas, bissexuais e transexuais estiveram presentes neste espaço que promoveu o debate sobre a implementação, ampliação e criação de políticas públicas que resultem em uma sociedade mais justa e igualitária.
Entre elas estavam as titulares e representantes dos pontos focais das áreas da Educação; Juventudes/ Movimento Estudantil; LBT’s (lésbicas, bissexuais e Trans); Mulheres de Axé/ Povos de Terreiros; Neab/NEABIs; Quilombolas; Conselhos; Cultura e Diversidade. Dos comitês regionais participaram Cascavel; Curitiba; Cornélio Procópio; Foz do Iguaçu; Litoral; Londrina; Maringá e Ponta Grossa.
A Vaquinha Virtual foi lançada durante o evento com o objetivo de angariar recursos para os custos da mobilização da Marcha, "Se queremos garantir a participação de todas, precisamos aquilombar. A vaquinha é um instrumento essencial para sairmos com 8 ônibus rumo a Brasília", afirmou Cleci Martins, coordenadora executiva da RMN-PR.
A marchante, Bruna Ravena, representando o Comitê Nacional e o Fórum Nacional de Mulheres Trans, ressaltou a importância da mobilização das mulheres trans na luta e a necessidade de documentação para garantir a participação de mulheres negras nas eleições de forma justa: "As pessoas que têm poder e denominam isso são pessoas brancas. Enquanto mulheres negras, a gente precisa de uma política mais eficaz para esse processo eleitoral que respeite as nossas identidades, as nossas corporeidades e a nossa cor desse processo todo que é sempre todos os dias violados", explicitou Ravena.
Entre as autoridades recebemos a Secretária Municipal da Mulher e da Igualdade Étnico-Racial de Curitiba, Marli Teixeira. Entre os 24 componentes do primeiro escalão da prefeitura, Teixeira é a única mulher negra.
Também estavam presentes, as vereadoras eleitas: Miss Preta, que obteve um resultado expressivo e histórico sendo o mandato mais votado no município de Pinhais. A vereadora fez um relato sobre a sua atuação em seu primeiro mandato e como o agir tem sido um grande desafio em seu munícipio devido ao jogo político e reproduções do racismo contra a liderança. A violência política de gênero tem sido tão intensa que em seus canais de comunicação recebeu ameaças que atentam contra a vida da vereadora.
Em seu segundo mandato, Giorgia Prates destacou as lutas pela proteção ambiental e cultural de terreiros. Vanda de Assis, a primeira vereadora nordestina a atuar em Curitiba se colocou para fortalecer na busca por recursos para a Marcha.
A ponte estadual dos comitês regionais, Dra. Alaerte Martins, sócia fundadora da RMN-PR, resgatou a história da Articulação de Organizações de Mulheres Negras Brasileiras (AMNB), destacando a sua fundação em 2000, atuação contra o racismo, sexismo e lesbofobia e constituição em 45 organizações em todo o Brasil. E reforçou, "A nossa luta é coletiva e interseccional. Sem enfrentar as opressões combinadas, não há transformação real".
É consenso da importância de momentos valiosos como esses onde é possível discutir a conjuntura estadual, bem como de elencar estratégias e firmar parcerias. "Nós não vamos para Brasília só para segurar uma bandeira, gritar ou cantar, nós precisamos saber, por que estamos lá. Nós precisamos conhecer movimentos que vieram antes da gente, que marcaram essa história e saber que nós vamos dar uma continuidade à luta", falou Marielli Vasconcelos, titular do ponto focal da juventude.
A cultura tem papel fundamental para criar conexão com a luta, "Meu corpo e minha arte são coletivos", disse poetisa Geisa Costa ao abrir o encontro recitando seus poemas. Contribuindo com o ponto focal de cultura recebemos a artista Eliana Brasil e Fernanda Santiago que finalizou o evento trazendo à roda o Movimento Maracatu Baque Mulher Curitiba do qual faz parte.
O Encontro Estadual de Organização da Marcha do Paraná teve o apoio/patrocínio da ONG Criola e da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura. Contamos com a presença expressiva de sindicatos apoiando com um destaque especial a CUT Paraná, SindSaúde-PR, Sintracon Curitiba, Sindicato dos Servidores Públicos Municipais Curitiba (SISMUC) e com toda a estrutura e equipe disponível da APP Sindicato.
Fotos: RMN-PR e de Luan Romero / APP-Sindicato
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