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A participação de Helena Theodoro no Seminário Ubuntu marcou um dos momentos mais potentes da programação

A participação de Helena Theodoro no Seminário Ubuntu marcou um dos momentos mais potentes da programação

Realizada no dia 24 de abril, a mesa “Travessias do saber: Educação e Cultura Negra em Movimento” reuniu reflexões profundas sobre educação, cultura e ancestralidade, reafirmando a centralidade dos saberes afro-brasileiros na construção de práticas comprometidas com a transformação social, especialmente na busca pela equidade racial. 

A atividade também contou com a presença de Cida Santos e Maria Conceição Fontoura, que participaram representando a Fundação Palmares e a ministra Margareth Menezes. Ambas destacaram a importância do trabalho desenvolvido pela Rede de Mulheres Negras do Paraná e a relevância da realização do seminário como espaço de formação, articulação e fortalecimento de políticas públicas. 

Reconhecida como a primeira mulher negra a concluir um doutorado em Filosofia no Brasil, Helena Theodoro trouxe para o debate reflexões a partir de sua trajetória e de sua produção intelectual. Durante a atividade, abordou a construção e a narrativa de sua obra O negro no espelho (1985), destacando também os caminhos e obstáculos enfrentados ao longo desse processo. 

Ao compartilhar sua experiência, a filósofa ressaltou as dificuldades estruturais vividas por pessoas negras, especialmente na região Sul do país. “Eu imagino os desafios enfrentados por vocês, pessoas negras aqui no Sul. O meu livro, que nasce da minha tese de doutorado de 1985, só foi publicado mais recentemente — então imaginem aqui”, afirmou, evidenciando os impactos do racismo estrutural na circulação e reconhecimento de produções intelectuais negras. 

Helena Theodoro também destacou os desafios históricos na construção e no compartilhamento dos saberes afro-brasileiros, apontando que, embora avanços já tenham sido conquistados, ainda é fundamental ampliar a presença de pesquisadoras, pesquisadores e fazedores de saber nesses espaços. 

Outro ponto central de sua fala foi a valorização dos conhecimentos oriundos das religiões de matriz africana, com destaque para os terreiros de candomblé como espaços de produção de saber, resistência e continuidade cultural. 

O auditório, localizado no campus Centro Politécnico da Universidade Federal do Paraná (UFPR), onde foi realizada a mesa, esteve praticamente lotado, com a presença de professores integrantes da Política Nacional de Equidade, Educação para as Relações Étnico-Raciais e Educação Escolar Quilombola (PNEERQ). A participação reforça o interesse e a necessidade de práticas educativas que reconheçam, valorizem e compartilhem, de forma efetiva, os saberes da educação e da cultura afro-brasileira. 

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