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Roda de conversa sobre produção cultural debate autonomia, acesso e fortalecimento de agentes culturais

Roda de conversa sobre produção cultural debate autonomia, acesso e fortalecimento de agentes culturais

A Roda de Conversa Produção Cultural Ubuntu, realizada na última quarta-feira (23), em Curitiba, integrou a programação do Seminário Ubuntu: Educação e Cultura Negra no Paraná e reuniu produtoras culturais em um encontro marcado pela troca de experiências. 

A atividade contou com a participação de Ana Preta, Bella Souza e Brenda Santos, que compartilharam suas trajetórias e discutiram os desafios e caminhos para a produção cultural negra em contextos ainda atravessados por desigualdades estruturais. 

A abertura da roda foi conduzida por Ana Claudia Justino, coordenadora administrativa adjunta da Rede de Mulheres Negras do Paraná, que recitou um texto dedicado a Ogum, orixá das religiões de matriz africana. A escolha marcou simbolicamente o início do encontro, dialogando com a data e reforçando a conexão com a ancestralidade e os saberes tradicionais. 

Entre os temas centrais, esteve o debate sobre acesso e democratização da cultura, especialmente no que diz respeito às leis de incentivo e às políticas públicas no Paraná. As participantes destacaram que, embora existam avanços, ainda é necessário ampliar o acesso e garantir que mais pessoas compreendam como acessar esses recursos. 

“Fazer cultura também exige conhecimento sobre elaboração e gestão de projetos. É preciso um processo educativo para que as pessoas consigam acessar de forma completa essas políticas”, destacou Ana Preta, ao reforçar a importância da formação para ampliar a participação de novos agentes culturais. 

A necessidade de cobrar a efetividade dessas políticas também foi apontada como fundamental, assim como a luta por editais mais democráticos e acessíveis. As participantes destacaram que, embora ainda não haja igualdade nas condições de acesso, os avanços conquistados já abrem caminhos, mas precisam ser aprimorados. 

A autonomia na produção cultural foi outro ponto de destaque. Para Bella Souza, é fundamental fortalecer estratégias que garantam independência aos agentes culturais: “É sobre ter dinheiro na mão e poder criar. É unir potencialidades para também ocupar o lugar de quem decide, de quem assina o cheque”. 

A conversa também trouxe reflexões sobre os modos de criação ao longo do tempo. Com mais de 20 anos de atuação na cultura, Brenda Santos compartilhou experiências sobre construção de projetos e destacou a importância da cultura como espaço de cuidado e saúde coletiva. “Aqui estamos fortalecendo um outro espaço. A cultura também precisa ser entendida como uma questão de saúde”, afirmou. 

Outro ponto levantado foi a importância de valorizar e acolher profissionais negros dentro dos projetos culturais, evitando a precarização e a exploração do trabalho. A construção de equipes comprometidas e o reconhecimento das trajetórias foram apontados como fundamentais para o fortalecimento do setor. 

Ao longo da roda, também foi destacada a importância de ampliar ações e ocupar mais espaços, como forma de movimentar o campo cultural e fortalecer novos agentes. A experiência prática, a continuidade dos projetos e a conexão com o público foram apontadas como caminhos para consolidar iniciativas culturais. 

A atividade reafirmou a proposta do Seminário Ubuntu como um espaço de escuta, formação e articulação, fortalecendo redes e promovendo reflexões sobre os caminhos possíveis para a produção cultural negra no estado. 

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