Nos dias 02, 03 e 04 de fevereiro de 2018 ocorreu a X Oficina de Gênero e Raça, com o tema “Direitos, Comunicação, Juventude e Saúde”. A Oficina acontece desde a fundação da organização, sendo um marco para o início das atividades de cada ano. O evento de 2018 começou sexta-feira, dia 02, com a […]

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Nos dias 02, 03 e 04 de fevereiro de 2018 ocorreu a X Oficina de Gênero e Raça, com o tema “Direitos, Comunicação, Juventude e Saúde”. A Oficina acontece desde a fundação da organização, sendo um marco para o início das atividades de cada ano.

O evento de 2018 começou sexta-feira, dia 02, com a fala de Solange Duarte, Coordenadora Executiva da Rede Mulheres Negras – PR. Destacou a importância da realização da Oficina e suas temáticas para esse ano.

Depois dessa abertura, houve um diálogo muito relevante e propício sobre a conjuntura brasileira e o Movimento de Mulheres Negras, realizada por Ana Lúcia Martins, do Coletivo Ashanti. A Rede Mulheres Negras – PR entende que esse ano será de muitas ações em contrapartida ao retrocesso pelo qual a sociedade está passando. Nesse contexto, as mulheres são as mais atacadas pela perda de direitos, principalmente as mulheres negras.

Em seguida, foram realizados alguns diálogos sobre a proposta de filiadas para ações nesse ano. Cleci Martins, Coordenadora Executiva Adjunta da organização, relembrou sobre a importância de que cada uma das filiadas contribuam com atividades concernentes à temática de Gênero e Raça. A ideia é trabalhar com uma organização regional, com várias atividades durante o ano. As filiadas fizeram algumas propostas de ações, as quais já estão no calendário de lutas da RMN-PR.

É missão da Rede de Mulheres Negras do Paraná “promover a ação política de mulheres negras paranaenses na luta contra o racismo, sexismo, opressão de classe e qualquer outra forma de discriminação”. Por essa razão, realizou-se uma mesa especificamente para trazer informações sobre a atuação da RMN-PR nos Conselhos e sua relevância. A estrutura política de todo movimento social vem da participação de cunho político em diferentes espaços. Assim, Alaerte Martins, Erika Pereira, Iyá Ikandayo e Marici Seles e  fizeram falas muito concernentes sobre como está acontecendo essas representações e os desafios enfrentados. Ser mulher negra nesses espaços exige um grande comprometimento e, acima de tudo, empoderamento para enfrentar um lugar que, tradicionalmente, a comunidade branca não entende como nosso.

A Rede vem trabalhando para inserir uma temática nova nesse histórico de lutas que já carrega. Com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s), os movimentos sociais estão mudando sua forma de atuação. Com o boom da internet e redes sociais, as formas de protesto alcançaram grandes patamares, atingindo mais pessoas de forma globalizada. Nesse sentido, o tema Comunicação e suas Tecnologias foi apresentado por Silvana Bárbara, coordenadora de comunicação da RMN-PR. Para ela, as novas tecnologias permitem uma maior mobilização da comunidade e da sociedade, principalmente nas pautas específicas de cada movimento social. Está ocorrendo uma apropriação das tecnologias pelos movimentos sociais, mas que ainda há muito a se fazer, principalmente para alcançar a periferia. Salientou que a comunicação deve ser subversiva, no sentido positivo da palavra, o de transformar o que já está posto, como um desejo intenso de mudança.

No sábado, dia 03, o evento iniciou com uma mesa muito importante para o cenário de conjuntura política atual. Alaerte Martins, Ivanete Xavier, Ivone Carvalho e Maria de Fátima da Rocha fizeram, cada uma delas, uma conversa sobre como foi e, no caso de algumas, como está sendo a atuação nos partidos políticos, até mesmo como candidatas aos cargos nas próximas eleições. Há uma grande necessidade de representações femininas na política e por isso existe a mobilização para que cada vez mais mulheres se candidatem aos cargos políticos. No caso da Oficina, foi destacada a relevância de ter mulheres negras nesses cargos, mas que assumam uma pauta focada em gênero e raça e não estejam presentes apenas para cumprir cotas.

A Rede Mulheres Negras – PR há bastante tempo trabalha na inserção de jovens para dar continuidade ao plano de ação do movimento social. Por essa razão, foi realizada a Oficina “Negras Jovens da América Latina Resistem – Pelo fim do Racismo”. Essa parte do evento foi realizada pelas jovens militantes Débora Evellyn Olímpio e Janaína Santana, que fizeram da X Oficina Gênero e Raça um momento lúdico. Depois de apresentações e roda de dança que rementem à cultura negra, as jovens fizeram uma fala sobre a importância que teve o 2º Encontro Nacional de Negras Jovens Feministas para a continuação da mobilização da juventude. Depois, propuseram uma atividade na qual cada uma das presentes pudesse expor sobre as possibilidades e estratégias para inserir a juventude (principalmente as meninas negras) nos movimentos sociais. A participação na atividade foi muito proveitosa e acredita-se que as jovens saíram com ideias para continuar trilhando o caminho dessa nova integração.

Outro tema que está sendo muito falado, principalmente com os avanços das pautas específicas dentro das vertentes do movimento de mulheres é o Feminismo Negro. A RMN-PR entende que muitas mulheres negras, até mesmo as militantes, têm ressalvas com relação ao feminismo, pois esse movimento ainda não representa todas as mulheres em sua pluralidade. Quem realizou a conversa sobre a temática foi Eliane Oliveira, pesquisadora do Neiab / UEM e participante da Rede Ciberativistas Negras. Eliane conduziu a oficina de maneira muito tranquila, abordando o porquê da existência do Feminismo Negro, como ele se organiza e que durante toda a X Oficina Gênero e Raça foram realizadas ações concernentes a essa vertente do feminismo. Destacou também que muitas mulheres criticam o feminismo da forma como ele sempre foi apresentado, centrado na mulher branca. Se pergunta qual feminismo não as identifica e sempre coloca que a contrapartida é o Feminismo Negro.

Depois de momentos tão ricos para acúmulo de conhecimentos, a descontração aconteceu por meio da comemoração dos 10 anos da Oficina Gênero e Raça, com a participação do grupo Afoxé e da Banda Setembrina.

O último dia da Oficina sempre é marcado por um momento no qual coordenação e filiadas se reúnem para rever as ações do ano interior e quais serão as atividades futuras. Dessa forma, começa com a Assembleia da Rede Mulheres Negras – PR, na qual foi deliberado sobre participações nos Conselhos, apresentado o relatório de atividades, o quadro de representações e apresentação e aprovação do relatório financeiro. Para finalizar, foi proposto um Plano de Ação para 2018.

A X Oficina de Gênero e Raça mostrou que as mulheres negras estão cada vez mais em luta e integradas em seus espaços de atuação. A visibilidade do Movimento de Mulheres Negras destaca a oportunidade para que se tenha conhecimento das pautas específicas, que é preciso fortalecer cada vez mais todo esse histórico de mobilizações e seguir em frente. Porque “se paramos de lutar, paramos de viver!”

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Nos dias 02, 03 e 04 de fevereiro de 2018 ocorreu a X Oficina de Gênero e Raça, com o tema “Direitos, Comunicação, Juventude e Saúde”. A Oficina acontece desde a fundação da organização, sendo um marco para o início das atividades de cada ano. O evento de 2018 começou sexta-feira, dia 02, com a […]

Nos dias 02, 03 e 04 de fevereiro de 2018 ocorreu a X Oficina de Gênero e Raça, com o tema “Direitos, Comunicação, Juventude e Saúde”. A Oficina acontece desde a fundação da organização, sendo um marco para o início das atividades de cada ano.

O evento de 2018 começou sexta-feira, dia 02, com a fala de Solange Duarte, Coordenadora Executiva da Rede Mulheres Negras – PR. Destacou a importância da realização da Oficina e suas temáticas para esse ano.

Depois dessa abertura, houve um diálogo muito relevante e propício sobre a conjuntura brasileira e o Movimento de Mulheres Negras, realizada por Ana Lúcia Martins, do Coletivo Ashanti. A Rede Mulheres Negras – PR entende que esse ano será de muitas ações em contrapartida ao retrocesso pelo qual a sociedade está passando. Nesse contexto, as mulheres são as mais atacadas pela perda de direitos, principalmente as mulheres negras.

Em seguida, foram realizados alguns diálogos sobre a proposta de filiadas para ações nesse ano. Cleci Martins, Coordenadora Executiva Adjunta da organização, relembrou sobre a importância de que cada uma das filiadas contribuam com atividades concernentes à temática de Gênero e Raça. A ideia é trabalhar com uma organização regional, com várias atividades durante o ano. As filiadas fizeram algumas propostas de ações, as quais já estão no calendário de lutas da RMN-PR.

É missão da Rede de Mulheres Negras do Paraná “promover a ação política de mulheres negras paranaenses na luta contra o racismo, sexismo, opressão de classe e qualquer outra forma de discriminação”. Por essa razão, realizou-se uma mesa especificamente para trazer informações sobre a atuação da RMN-PR nos Conselhos e sua relevância. A estrutura política de todo movimento social vem da participação de cunho político em diferentes espaços. Assim, Alaerte Martins, Erika Pereira, Iyá Ikandayo e Marici Seles e  fizeram falas muito concernentes sobre como está acontecendo essas representações e os desafios enfrentados. Ser mulher negra nesses espaços exige um grande comprometimento e, acima de tudo, empoderamento para enfrentar um lugar que, tradicionalmente, a comunidade branca não entende como nosso.

A Rede vem trabalhando para inserir uma temática nova nesse histórico de lutas que já carrega. Com o advento das novas tecnologias de informação e comunicação (TIC’s), os movimentos sociais estão mudando sua forma de atuação. Com o boom da internet e redes sociais, as formas de protesto alcançaram grandes patamares, atingindo mais pessoas de forma globalizada. Nesse sentido, o tema Comunicação e suas Tecnologias foi apresentado por Silvana Bárbara, coordenadora de comunicação da RMN-PR. Para ela, as novas tecnologias permitem uma maior mobilização da comunidade e da sociedade, principalmente nas pautas específicas de cada movimento social. Está ocorrendo uma apropriação das tecnologias pelos movimentos sociais, mas que ainda há muito a se fazer, principalmente para alcançar a periferia. Salientou que a comunicação deve ser subversiva, no sentido positivo da palavra, o de transformar o que já está posto, como um desejo intenso de mudança.

No sábado, dia 03, o evento iniciou com uma mesa muito importante para o cenário de conjuntura política atual. Alaerte Martins, Ivanete Xavier, Ivone Carvalho e Maria de Fátima da Rocha fizeram, cada uma delas, uma conversa sobre como foi e, no caso de algumas, como está sendo a atuação nos partidos políticos, até mesmo como candidatas aos cargos nas próximas eleições. Há uma grande necessidade de representações femininas na política e por isso existe a mobilização para que cada vez mais mulheres se candidatem aos cargos políticos. No caso da Oficina, foi destacada a relevância de ter mulheres negras nesses cargos, mas que assumam uma pauta focada em gênero e raça e não estejam presentes apenas para cumprir cotas.

A Rede Mulheres Negras – PR há bastante tempo trabalha na inserção de jovens para dar continuidade ao plano de ação do movimento social. Por essa razão, foi realizada a Oficina “Negras Jovens da América Latina Resistem – Pelo fim do Racismo”. Essa parte do evento foi realizada pelas jovens militantes Débora Evellyn Olímpio e Janaína Santana, que fizeram da X Oficina Gênero e Raça um momento lúdico. Depois de apresentações e roda de dança que rementem à cultura negra, as jovens fizeram uma fala sobre a importância que teve o 2º Encontro Nacional de Negras Jovens Feministas para a continuação da mobilização da juventude. Depois, propuseram uma atividade na qual cada uma das presentes pudesse expor sobre as possibilidades e estratégias para inserir a juventude (principalmente as meninas negras) nos movimentos sociais. A participação na atividade foi muito proveitosa e acredita-se que as jovens saíram com ideias para continuar trilhando o caminho dessa nova integração.

Outro tema que está sendo muito falado, principalmente com os avanços das pautas específicas dentro das vertentes do movimento de mulheres é o Feminismo Negro. A RMN-PR entende que muitas mulheres negras, até mesmo as militantes, têm ressalvas com relação ao feminismo, pois esse movimento ainda não representa todas as mulheres em sua pluralidade. Quem realizou a conversa sobre a temática foi Eliane Oliveira, pesquisadora do Neiab / UEM e participante da Rede Ciberativistas Negras. Eliane conduziu a oficina de maneira muito tranquila, abordando o porquê da existência do Feminismo Negro, como ele se organiza e que durante toda a X Oficina Gênero e Raça foram realizadas ações concernentes a essa vertente do feminismo. Destacou também que muitas mulheres criticam o feminismo da forma como ele sempre foi apresentado, centrado na mulher branca. Se pergunta qual feminismo não as identifica e sempre coloca que a contrapartida é o Feminismo Negro.

Depois de momentos tão ricos para acúmulo de conhecimentos, a descontração aconteceu por meio da comemoração dos 10 anos da Oficina Gênero e Raça, com a participação do grupo Afoxé e da Banda Setembrina.

O último dia da Oficina sempre é marcado por um momento no qual coordenação e filiadas se reúnem para rever as ações do ano interior e quais serão as atividades futuras. Dessa forma, começa com a Assembleia da Rede Mulheres Negras – PR, na qual foi deliberado sobre participações nos Conselhos, apresentado o relatório de atividades, o quadro de representações e apresentação e aprovação do relatório financeiro. Para finalizar, foi proposto um Plano de Ação para 2018.

A X Oficina de Gênero e Raça mostrou que as mulheres negras estão cada vez mais em luta e integradas em seus espaços de atuação. A visibilidade do Movimento de Mulheres Negras destaca a oportunidade para que se tenha conhecimento das pautas específicas, que é preciso fortalecer cada vez mais todo esse histórico de mobilizações e seguir em frente. Porque “se paramos de lutar, paramos de viver!”

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