A Oficina tratou de Direitos Reprodutivos e sobre a descriminalização do aborto. No dia 1º de setembro ocorreu a Oficina Saúde da Mulher, que teve como foco a temática de direitos sexuais e reprodutivos. A atividade contou com a presença de Alaerte Martins, enfermeira, mestra e doutora em Saúde Pública, militante da Rede Mulheres Negras […]

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A Oficina tratou de Direitos Reprodutivos e sobre a descriminalização do aborto.

No dia 1º de setembro ocorreu a Oficina Saúde da Mulher, que teve como foco a temática de direitos sexuais e reprodutivos. A atividade contou com a presença de Alaerte Martins, enfermeira, mestra e doutora em Saúde Pública, militante da Rede Mulheres Negras – PR e da Rede Feminista de Saúde. Também esteve como mediadora a odontologista Lara Cubis, da Rede Feminista de Saúde.

Alaerte começa sua participação se apresentando e fazendo uma introdução sobre a importância da oficina e o que será abordado, afirmando que não se trata de uma conferência, mas sim de uma troca, uma roda de conversa. Segue então as apresentações de cada uma das participantes.

 

Alaerte Martins fala da importância da oficina e do que vai tratar na atividade.

 

Ao se apresentar, a maioria das mulheres falou da importância de abordar as questões de sexualidade na infância e que a escola tem um papel relevante nessa ação, juntamente com os familiares. Porém, como acordado diante dos argumentos, não se fala em sexualidade nas escolas, mesmo com o Programa Saúde na Escola (PSE), o qual se trata de uma união de políticas com o objetivo de promover saúde e educação integral nas instituições públicas de ensino.

Lara fez uma abordagem sobre as fases do ser humano seguindo a linha naturalista, afirmando que são as seguintes: oral, anal e sexual.

Segundo Alaerte, dialogar sobre direitos sexuais e reprodutivos não é algo fácil e destacou a importância dos órgãos financiadores para tratar de cada aspecto relacionado. Ressaltou também a questão do recorte racial, afirmando que “tudo para as pretas é pior”. De fato, como já é de conhecimento, as mulheres negras têm as suas especificidades por terem que enfrentar o sexismo e o racismo.

Para Alaerte, o tema mais polêmico dentro dos direitos sexuais e reprodutivos é o aborto. A doutora fala que uma coisa é fato: o aborto existe e que a pessoa que não tem essa consciência está desligada da realidade. Destaca a questão do recorte de classe e raça e sobre a situação das mulheres que habitam em áreas rurais. Afirma também que as mulheres estão morrendo ao fazerem aborto em casa de forma violenta para elas mesmas. Desta forma, é preciso falar de aborto, pois é uma questão de saúde pública.

Sobre métodos contraceptivos, Alaerte informa que há disponíveis no Brasil aproximadamente dezoito métodos e destaca que nenhum deles é totalmente seguro. Há também o caso do aceite do corpo com determinado método e que, por não serem naturais, podem apresentar efeitos colaterais no organismo.

 

Alaerte fala sobre a importância de conhecer o próprio corpo e da sua mercantilização.

 

Sobre a mercantilização do corpo da mulher, foi colocado que há uma grande pressão para que as mulheres tenham o corpo que a mídia e os homens consideram como belo e aceitável. Por essa razão, muitas mulheres se submetem a mudar seu corpo ou a ter hábitos que não gostam totalmente, apenas para satisfazer um desejo patriarcal.

Quem também deu sua contribuição para a conversa foi Raquel Messias, parteira e doula na tradição, que já realizou uma oficina de Saberes Ancestrais das Parteiras dentro da programação do Julho das Pretas – PR 2018. Diante das falas sobre dificuldades que algumas mulheres têm de engravidar, Raquel argumenta sobre o trabalho de relação com a espiritualidade que realiza. Segundo sua tradição, a mulher engravida quando seu corpo está preparado para tal. E que o poder da vida é das mulheres. Diante dessa afirmação, foi destacado que muitos homens não aceitam esse poder de que está tudo nas mãos (ou melhor, no ventre) de cada mulher.

 

Raquel expõe como a gravidez é tratada seguindo os saberes ancestrais.

 

Heliana Hemetério, militante do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento LGBTI fez uma fala sobre estupro corretivo. Esse tipo de estupro tem como suas vítimas mulheres lésbicas e, como o nome diz, é para “corrigi-las”, “educa-las”, para que se tornem heterossexuais. Segundo Heliana, é fruto da ignorância com relação à educação sexual, do sexismo e do machismo e acontece, na maioria dos casos, em ambiente familiar ou entre pessoas muito próximas da vítima. Geralmente, há ainda o problema de que as famílias não querem que o caso se torne público.

 

Heliana faz considerações importantes sobre estupro corretivo.

 

A temática do aborto, dentro da oficina, foi abordada por Lara Cubis, que iniciou sua fala informando que há três ocasiões nas quais o aborto é permitido por lei no Brasil: risco de vida para a mãe, gravidez por ocasião e estupro e feto anencéfalo.

Lara informa que para a mulher ser atendida nos hospitais em caso de estupro não é preciso Boletim de Ocorrência, pois uma declaração é o suficiente. Porém, muitas mulheres não são tratadas de forma humanizada nesses casos, são vítimas de preconceito e até mesmo são penalizadas no Sistema de Saúde.

Alaerte destaca que a essência dos direitos sexuais e reprodutivos em Curitiba é o Programa Mulher de Verdade, que já tem 16 anos de existência. O Programa tem a função de garantir os direitos humanos às mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. Também foi informado que, na teoria, qualquer hospital pode fazer o aborto legal, contudo a referência na cidade é o Hospital das Clínicas.

Lara faz um contexto de um tema bem importante ao se tratar de aborto legal: a violência obstétrica. Há casos em que as mulheres abortam de forma espontânea e passam por tratamentos humilhantes, recusa de atendimento, agressões verbais, dentre outras situações violentas. Foi destacado que há uma cultura de não falar de aborto, inclusive do espontâneo que ocorre de forma natural e pode acontecer em qualquer família.

 

Lara fala sobre interrupção da gravidez e da violência obstétrica.

 

Sobre esse assunto, Alaerte ressalta a importância de estar nos Conselhos debatendo e deliberando sobre esse tipo de violência. Cita a Resolução RDC 36/2008, a qual dispõe que os serviços de atenção obstétrica e neonatal é direito de todas as mulheres. Alaerte informa que o ideal é que as maternidades tenham quartos individuais para cada paciente, com a família, médica (o) e enfermeira (o).

Lara informa sobre a diferença entre legalização do aborto e descriminalização do aborto. A legalização é a mulher ter o direito de chegar no SUS ou em um hospital e ter o direito de interromper a gravidez, ou seja, há a obrigação de prestar esse serviço às mulheres. Já a descriminalização do aborto é que se reivindica no Brasil: o aborto não é considerado crime, contudo os hospitais e o SUS não realizam o procedimento. Esse tema foi tratado na ADPF 442, que solicita a exclusão dos artigos 124 e 126 do Código Penal, os quais definem como crime a interrupção da gravidez.

Finalizando a oficina, foi falado sobre o controle sobre os corpos e de que é preciso colocar em xeque a maternidade compulsória, a qual pressiona toda mulher a ter filhos. Tal ação pode ser considerada fruto do patriarcado instaurado na sociedade.

A Rede Mulheres Negras – PR considera muito importante abordar temas relacionados à saúde da mulher, principalmente relacionados aos direitos sexuais e reprodutivos, os quais ainda são tabus. Durante todo o ano, a organização realiza palestras, oficinas e demais eventos na área, com o objetivo de promover a troca de aprendizado.

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A Oficina tratou de Direitos Reprodutivos e sobre a descriminalização do aborto. No dia 1º de setembro ocorreu a Oficina Saúde da Mulher, que teve como foco a temática de direitos sexuais e reprodutivos. A atividade contou com a presença de Alaerte Martins, enfermeira, mestra e doutora em Saúde Pública, militante da Rede Mulheres Negras […]

A Oficina tratou de Direitos Reprodutivos e sobre a descriminalização do aborto.

No dia 1º de setembro ocorreu a Oficina Saúde da Mulher, que teve como foco a temática de direitos sexuais e reprodutivos. A atividade contou com a presença de Alaerte Martins, enfermeira, mestra e doutora em Saúde Pública, militante da Rede Mulheres Negras – PR e da Rede Feminista de Saúde. Também esteve como mediadora a odontologista Lara Cubis, da Rede Feminista de Saúde.

Alaerte começa sua participação se apresentando e fazendo uma introdução sobre a importância da oficina e o que será abordado, afirmando que não se trata de uma conferência, mas sim de uma troca, uma roda de conversa. Segue então as apresentações de cada uma das participantes.

 

Alaerte Martins fala da importância da oficina e do que vai tratar na atividade.

 

Ao se apresentar, a maioria das mulheres falou da importância de abordar as questões de sexualidade na infância e que a escola tem um papel relevante nessa ação, juntamente com os familiares. Porém, como acordado diante dos argumentos, não se fala em sexualidade nas escolas, mesmo com o Programa Saúde na Escola (PSE), o qual se trata de uma união de políticas com o objetivo de promover saúde e educação integral nas instituições públicas de ensino.

Lara fez uma abordagem sobre as fases do ser humano seguindo a linha naturalista, afirmando que são as seguintes: oral, anal e sexual.

Segundo Alaerte, dialogar sobre direitos sexuais e reprodutivos não é algo fácil e destacou a importância dos órgãos financiadores para tratar de cada aspecto relacionado. Ressaltou também a questão do recorte racial, afirmando que “tudo para as pretas é pior”. De fato, como já é de conhecimento, as mulheres negras têm as suas especificidades por terem que enfrentar o sexismo e o racismo.

Para Alaerte, o tema mais polêmico dentro dos direitos sexuais e reprodutivos é o aborto. A doutora fala que uma coisa é fato: o aborto existe e que a pessoa que não tem essa consciência está desligada da realidade. Destaca a questão do recorte de classe e raça e sobre a situação das mulheres que habitam em áreas rurais. Afirma também que as mulheres estão morrendo ao fazerem aborto em casa de forma violenta para elas mesmas. Desta forma, é preciso falar de aborto, pois é uma questão de saúde pública.

Sobre métodos contraceptivos, Alaerte informa que há disponíveis no Brasil aproximadamente dezoito métodos e destaca que nenhum deles é totalmente seguro. Há também o caso do aceite do corpo com determinado método e que, por não serem naturais, podem apresentar efeitos colaterais no organismo.

 

Alaerte fala sobre a importância de conhecer o próprio corpo e da sua mercantilização.

 

Sobre a mercantilização do corpo da mulher, foi colocado que há uma grande pressão para que as mulheres tenham o corpo que a mídia e os homens consideram como belo e aceitável. Por essa razão, muitas mulheres se submetem a mudar seu corpo ou a ter hábitos que não gostam totalmente, apenas para satisfazer um desejo patriarcal.

Quem também deu sua contribuição para a conversa foi Raquel Messias, parteira e doula na tradição, que já realizou uma oficina de Saberes Ancestrais das Parteiras dentro da programação do Julho das Pretas – PR 2018. Diante das falas sobre dificuldades que algumas mulheres têm de engravidar, Raquel argumenta sobre o trabalho de relação com a espiritualidade que realiza. Segundo sua tradição, a mulher engravida quando seu corpo está preparado para tal. E que o poder da vida é das mulheres. Diante dessa afirmação, foi destacado que muitos homens não aceitam esse poder de que está tudo nas mãos (ou melhor, no ventre) de cada mulher.

 

Raquel expõe como a gravidez é tratada seguindo os saberes ancestrais.

 

Heliana Hemetério, militante do Movimento de Mulheres Negras e do Movimento LGBTI fez uma fala sobre estupro corretivo. Esse tipo de estupro tem como suas vítimas mulheres lésbicas e, como o nome diz, é para “corrigi-las”, “educa-las”, para que se tornem heterossexuais. Segundo Heliana, é fruto da ignorância com relação à educação sexual, do sexismo e do machismo e acontece, na maioria dos casos, em ambiente familiar ou entre pessoas muito próximas da vítima. Geralmente, há ainda o problema de que as famílias não querem que o caso se torne público.

 

Heliana faz considerações importantes sobre estupro corretivo.

 

A temática do aborto, dentro da oficina, foi abordada por Lara Cubis, que iniciou sua fala informando que há três ocasiões nas quais o aborto é permitido por lei no Brasil: risco de vida para a mãe, gravidez por ocasião e estupro e feto anencéfalo.

Lara informa que para a mulher ser atendida nos hospitais em caso de estupro não é preciso Boletim de Ocorrência, pois uma declaração é o suficiente. Porém, muitas mulheres não são tratadas de forma humanizada nesses casos, são vítimas de preconceito e até mesmo são penalizadas no Sistema de Saúde.

Alaerte destaca que a essência dos direitos sexuais e reprodutivos em Curitiba é o Programa Mulher de Verdade, que já tem 16 anos de existência. O Programa tem a função de garantir os direitos humanos às mulheres vítimas de violência sexual e doméstica. Também foi informado que, na teoria, qualquer hospital pode fazer o aborto legal, contudo a referência na cidade é o Hospital das Clínicas.

Lara faz um contexto de um tema bem importante ao se tratar de aborto legal: a violência obstétrica. Há casos em que as mulheres abortam de forma espontânea e passam por tratamentos humilhantes, recusa de atendimento, agressões verbais, dentre outras situações violentas. Foi destacado que há uma cultura de não falar de aborto, inclusive do espontâneo que ocorre de forma natural e pode acontecer em qualquer família.

 

Lara fala sobre interrupção da gravidez e da violência obstétrica.

 

Sobre esse assunto, Alaerte ressalta a importância de estar nos Conselhos debatendo e deliberando sobre esse tipo de violência. Cita a Resolução RDC 36/2008, a qual dispõe que os serviços de atenção obstétrica e neonatal é direito de todas as mulheres. Alaerte informa que o ideal é que as maternidades tenham quartos individuais para cada paciente, com a família, médica (o) e enfermeira (o).

Lara informa sobre a diferença entre legalização do aborto e descriminalização do aborto. A legalização é a mulher ter o direito de chegar no SUS ou em um hospital e ter o direito de interromper a gravidez, ou seja, há a obrigação de prestar esse serviço às mulheres. Já a descriminalização do aborto é que se reivindica no Brasil: o aborto não é considerado crime, contudo os hospitais e o SUS não realizam o procedimento. Esse tema foi tratado na ADPF 442, que solicita a exclusão dos artigos 124 e 126 do Código Penal, os quais definem como crime a interrupção da gravidez.

Finalizando a oficina, foi falado sobre o controle sobre os corpos e de que é preciso colocar em xeque a maternidade compulsória, a qual pressiona toda mulher a ter filhos. Tal ação pode ser considerada fruto do patriarcado instaurado na sociedade.

A Rede Mulheres Negras – PR considera muito importante abordar temas relacionados à saúde da mulher, principalmente relacionados aos direitos sexuais e reprodutivos, os quais ainda são tabus. Durante todo o ano, a organização realiza palestras, oficinas e demais eventos na área, com o objetivo de promover a troca de aprendizado.

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