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#tecnologia

   

Em Canal Futura

 

Você acorda, mexe no celular, ouve música ou podcast no Spotify a caminho do trabalho. Conversa no WhatsApp. Marca reuniões por Skype ou Google Hangout. Chama um Uber para voltar para a casa. É fácil identificar como a tecnologia está, cada vez mais, presente no nosso cotidiano.

O mercado está em expansão e os setores de tecnologia estão entre os que mais geram vagas de trabalho. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups),  420 mil trabalhadores precisam ser contratados para atingir as metas das companhias até 2024.

 

Mas qual o perfil de quem trabalha na área de tecnologia hoje?

 

A pesquisa #QUEMCODABR , desenvolvida pela PretaLab, uma organização social do Olabi, e  o Thoughtworks, uma consultoria global de software, fez esse levantamento e constatou que a maioria das pessoas que trabalha em tecnologia no país hoje são formadas, principalmente por homens, brancos, jovens de classe socioeconômica média e alta que começaram a sua trajetória nos centros formais de ensino. Os dados foram coletados entre os meses de novembro de 2018 e março de 2019, somando um total de 693 respondentes válidos em 21 estados brasileiros, incluindo o DF.

 

E onde estão as mulheres?

 

As mulheres são a maioria no país e no ensino superior, representando 57,2% nos cursos de graduação, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2016. Ainda assim, este aumento não acompanhou a proporção entre homens e mulheres nos cursos de ciências exatas.

O mesmo relatório mostra, por exemplo, que no curso de engenharia mecânica, elas correspondem a 10,2%, fenômeno que se repete na engenharia elétrica (13,1%) e na engenharia civil (30,3%). Então, se as brasileiras já são maioria no ensino superior, por que são tão poucas nas ciências exatas e engenharias?

Dois colegas, um homem negro de pé e uma mulher negra sentada em frente a uma mesa, trabalham com um tablet.
A taxa de desocupação de mulheres negras (13,3%) é a maior em comparação a homens brancos, homens negros e mulheres brancas (11,6%) | Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2016) (Foto: AFP)

E as mulheres negras na tecnologia?

 

Quando o recorte é feito entre mulheres brancas e negras, a situação é ainda mais desigual. Dados do Boletim Mercado de Trabalho mostram que, no mercado formal de trabalho, a maior presença de mulheres negras são nos cargos de professoras, enfermeiras, cuidadoras, funcionárias públicas e militar, além de trabalhadoras domésticas.

Nas maiores empresas do país, as mulheres negras estão concentradas nos cargos mais baixos dentro das organizações. As mulheres negras preenchem 10,3% dos cargos funcionais, 8,2% dos cargos de supervisão, 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo.

Na pesquisa #QuemCodaBR, 32,7% das empresas participantes não possuem nenhuma pessoa negra nas equipes de trabalho em tecnologia. E, somente 31.5% dos respondentes que trabalham com tecnologia são mulheres.

 

Reprodução: www.pretalab.com/dados | Fonte: Instituto Ethos, pesquisa feita em 117 das 500 maiores empresas do país.

 

Pensando nessa desigualdade, a jornalista Silvana Bahia, diretora do Olabi, lançou o site PretaLab que traz dados sobre a participação de mulheres negras e indígenas no mercado de tecnologia, além de uma área no site para cadastro de mulheres negras que trabalhem na área de tecnologia e inovação: “A PretaLab é uma iniciativa que reforça a necessidade e a pertinência de incluir mais mulheres negras na inovação e na tecnologia. O projeto é uma realização do Olabi, uma organização social que dissemina a cultura maker. A ideia é iniciar o diálogo com empresas, conectar mulheres negras entre si, mapear mulheres negras no Brasil e colaborar com a ideia de empregatividade.”, comenta Silvana.

Futura: Só 14% da Academia Brasileira de Ciência é composta por mulheres. Sem contar as mulheres negras.  Por que a presença de mulheres nas áreas tecnológicas, sobretudo, ocupando cargos de chefias é tão baixa?

Silvana Bahia: A primeira questão é entender que as mulheres negras e brancas não partem do mesmo lugar. Além de enfrentarem o machismo, as mulheres negras também têm que lidar com o racismo. Por isso, políticas públicas precisam ser criadas para abarcar esse grupo que é grande, cerca de 27% da população é formada por mulheres negras. Além disso, as mulheres negras compõem a base da pirâmide: elas lideram os piores índices de empregabilidade, saúde, renda. Para transformar a sociedade precisamos mexer a base da pirâmide. Tem muitas questões estruturais que precisam ser mudadas. Falar diversidade é uma guarda-chuva gigante, pois a população obras é plural e não é representada dessa forma.

Mulheres negras têm a menor renda mensal entre os trabalhadores com ensino superior: R$ 2.918,27. Em 1º, estão os homens brancos graduados (R$ 6.702,00), seguidos de homens negros graduados (R$ 4.810,00) e mulheres brancas graduadas (R$3.981,00).

Reprodução: www.pretalab.com/dados | Fonte: Instituto Locomotiva (2017).

 

“Mulheres negras e brancas não partem do mesmo lugar. Além de enfrentarem o machismo, as mulheres negras também têm que lidar com o racismo.”

 

Futura: A Pesquisa “Cracking the code: Girls’ and women’s education in science, technology, engineering and mathematics”, divulgada em 2017 pela ONU Mulheres, mostra que 74% das mulheres se interessam por ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No entanto, apenas 30% delas se tornam pesquisadoras nessas áreas. Para as que ingressaram no mercado de trabalho, 27% sentem que não estão evoluindo em suas carreiras, enquanto 32% desistem em até um ano depois de concluída a graduação. Por que isso acontece?

Silvana: Duas questões são fundamentais: uma é o acesso e a outra é a permanência. Em geral, essas áreas são ambientes muito masculinos e acabam se tornando um ambiente hostil para muitas mulheres. Precisamos criar políticas para que as mulheres não só entrem, mas permaneçam neste mercado. A universidade e os centros formais de educação precisam repensar essa questão da diversidade. Precisamos criar políticas de inclusão e de estímulo.

Nós, do PretaLab, criamos um canal no Youtube chamado “Computação sem Caô”, em que a ideia é aproximar mulheres desse discussão de tecnologia, muitas vezes distante da sua realidade, e estimular que elas possam entender melhor este conteúdo. Acho que esse “mito” da meritocracia afastam as mulheres destes espaços. É importante estimular políticas publicas de educação nesses espaços de formação. Vemos o interesse dessas mulheres em querer saber mais sobre esses conteúdos e compartilhar o que elas sabem.

Futura: Uma das conclusões que vocês chegaram na pesquisa “Quem Coda o Brasil” é que as pessoas que trabalham com tecnologia contempladas na pesquisa estão em situação de privilégio em comparação com a população do país: são mais jovens, possuem maior rendimento mensal, apresentam mais tempo de escolaridade.  Mais de 60% dos respondentes apresentam renda mensal domiciliar a partir de 5 salários mínimos, ou seja, R$ 4.770,00 (valor em 2019). Por que existe essa desigualdade?

Silvana: A tecnologia é sempre vista como uma pauta da elite. A realidade é que muitas famílias são matriarcais e as mulheres têm que parar de estudar para cuidar do filho. Estamos, talvez, numa primeira geração de pessoas que foram para universidades devido a políticas afirmativas.

 

“As mulheres negras compõem a base da pirâmide: elas lideram os piores índices de empregabilidade, saúde, renda.”

 

Eu, por exemplo, sou a primeira pessoa da minha família a ir para uma universidade. A minha mãe só estudou até o ensino médio e hoje trabalha como cuidadora, empregada doméstica. Eu, consegui ir até o mestrado e hoje trabalho com tecnologia, graças a essas políticas de inclusão. Pensar em incluir mais mulheres negras na tecnologia, tanto na educação, tanto no trabalho pode ser transformador. O meu objetivo é mostrar o quanto a tecnologia pode ser algo para transformar e melhorar a vida das pessoas e não só acirrar a desigualdade, como é hoje.

Futura: Além da questão social, quais os impactos econômicos que trazer mais diversidade para as áreas de inovação e tecnologia pode trazer para a nossa economia?

Silvana: Algumas pesquisas mostram como a diversidade impacta nos lucros das empresas. Se temos equipes mais diversas dentro das organizações, que podem ter outros olhares para somar o que já é produzido, teremos vários resultados financeiros. Para as empresas, é fundamental ter diversidade porque isso impacta a vida de todo mundo. Cada vez, as grandes corporações, formado por um grupo seleto, é que ditam a tecnologia mundial e não levam em consideração os sabores locais e o conhecimento local.

Futura: O que deve ser feito para permitir mais diversidade nas áreas tecnológicas?

Silvana: A gente tem muito trabalho pela frente. Acho que os gestores devem se preocupar em como incluir mais pessoas diversas nos seus respectivos projetos. É tratar a diversidade pensando a pluralidade que é o Brasil. A primeira forma é olhar para a pauta de diversidade como um problema social e pensar em como incluir mais pessoas. Isto, em todas as instâncias, governos, universidades e empresas.

 

“A tecnologia é sempre vista como uma pauta da elite.”

 

Futura: Como é hoje o mercado na área de exatas para mulheres negras no Brasil?

Silvana: Eu acho que o mercado entendeu que é importante ter mulheres negras, mas eu acho que o mercado ainda não está preparado para receber essas mulheres. É preciso criar políticas para que as mulheres permanecem neles. Muitas vezes, ouço de empregadores que é difícil encontrar mulheres desenvolvedoras negras. Mas o que tenho visto é que as mulheres negras estão m interessadas nessa pauta e cada vez mais estão buscando mais formação nessa área. A nova ferramenta da PretaLab nasceu justamente para aproximar os empregadores dessas mulheres negras especialistas tecnologia.

No site do PretaLab, há uma aba chamada “Perfis” em que mulheres negras de todo Brasil podem se cadastrar de graça nas mais diferentes especialidades: cientista de dados, desenvolvedores, engenharias, analistas de sistemas, design, estatísticas, jornalistas, ux, comunicação digital, pesquisa, biologia.  A plataforma tem o perfil, uma biografia das meninas e o contato direto para rede delas. É importante ressaltar que está mercado de tecnologia e inovação está crescendo e as mulheres negras, que compõe um parte significativa da população (27%) não podem ser excluídas.

 

Fonte: Canal Futura

 

Em Canal Futura   Você acorda, mexe no celular, ouve música ou podcast no Spotify a caminho do trabalho. Conversa no WhatsApp. Marca reuniões por Skype ou Google Hangout. Chama um Uber para voltar para a casa. É fácil identificar como a tecnologia está, cada vez mais, presente no nosso cotidiano. O mercado está em expansão e os setores de tecnologia estão entre […]

Em Canal Futura

 

Você acorda, mexe no celular, ouve música ou podcast no Spotify a caminho do trabalho. Conversa no WhatsApp. Marca reuniões por Skype ou Google Hangout. Chama um Uber para voltar para a casa. É fácil identificar como a tecnologia está, cada vez mais, presente no nosso cotidiano.

O mercado está em expansão e os setores de tecnologia estão entre os que mais geram vagas de trabalho. Segundo a Associação Brasileira de Startups (Abstartups),  420 mil trabalhadores precisam ser contratados para atingir as metas das companhias até 2024.

 

Mas qual o perfil de quem trabalha na área de tecnologia hoje?

 

A pesquisa #QUEMCODABR , desenvolvida pela PretaLab, uma organização social do Olabi, e  o Thoughtworks, uma consultoria global de software, fez esse levantamento e constatou que a maioria das pessoas que trabalha em tecnologia no país hoje são formadas, principalmente por homens, brancos, jovens de classe socioeconômica média e alta que começaram a sua trajetória nos centros formais de ensino. Os dados foram coletados entre os meses de novembro de 2018 e março de 2019, somando um total de 693 respondentes válidos em 21 estados brasileiros, incluindo o DF.

 

E onde estão as mulheres?

 

As mulheres são a maioria no país e no ensino superior, representando 57,2% nos cursos de graduação, de acordo com o Censo da Educação Superior de 2016. Ainda assim, este aumento não acompanhou a proporção entre homens e mulheres nos cursos de ciências exatas.

O mesmo relatório mostra, por exemplo, que no curso de engenharia mecânica, elas correspondem a 10,2%, fenômeno que se repete na engenharia elétrica (13,1%) e na engenharia civil (30,3%). Então, se as brasileiras já são maioria no ensino superior, por que são tão poucas nas ciências exatas e engenharias?

Dois colegas, um homem negro de pé e uma mulher negra sentada em frente a uma mesa, trabalham com um tablet.
A taxa de desocupação de mulheres negras (13,3%) é a maior em comparação a homens brancos, homens negros e mulheres brancas (11,6%) | Fonte: Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad 2016) (Foto: AFP)

E as mulheres negras na tecnologia?

 

Quando o recorte é feito entre mulheres brancas e negras, a situação é ainda mais desigual. Dados do Boletim Mercado de Trabalho mostram que, no mercado formal de trabalho, a maior presença de mulheres negras são nos cargos de professoras, enfermeiras, cuidadoras, funcionárias públicas e militar, além de trabalhadoras domésticas.

Nas maiores empresas do país, as mulheres negras estão concentradas nos cargos mais baixos dentro das organizações. As mulheres negras preenchem 10,3% dos cargos funcionais, 8,2% dos cargos de supervisão, 1,6% das posições na gerência e 0,4% no quadro executivo.

Na pesquisa #QuemCodaBR, 32,7% das empresas participantes não possuem nenhuma pessoa negra nas equipes de trabalho em tecnologia. E, somente 31.5% dos respondentes que trabalham com tecnologia são mulheres.

 

Reprodução: www.pretalab.com/dados | Fonte: Instituto Ethos, pesquisa feita em 117 das 500 maiores empresas do país.

 

Pensando nessa desigualdade, a jornalista Silvana Bahia, diretora do Olabi, lançou o site PretaLab que traz dados sobre a participação de mulheres negras e indígenas no mercado de tecnologia, além de uma área no site para cadastro de mulheres negras que trabalhem na área de tecnologia e inovação: “A PretaLab é uma iniciativa que reforça a necessidade e a pertinência de incluir mais mulheres negras na inovação e na tecnologia. O projeto é uma realização do Olabi, uma organização social que dissemina a cultura maker. A ideia é iniciar o diálogo com empresas, conectar mulheres negras entre si, mapear mulheres negras no Brasil e colaborar com a ideia de empregatividade.”, comenta Silvana.

Futura: Só 14% da Academia Brasileira de Ciência é composta por mulheres. Sem contar as mulheres negras.  Por que a presença de mulheres nas áreas tecnológicas, sobretudo, ocupando cargos de chefias é tão baixa?

Silvana Bahia: A primeira questão é entender que as mulheres negras e brancas não partem do mesmo lugar. Além de enfrentarem o machismo, as mulheres negras também têm que lidar com o racismo. Por isso, políticas públicas precisam ser criadas para abarcar esse grupo que é grande, cerca de 27% da população é formada por mulheres negras. Além disso, as mulheres negras compõem a base da pirâmide: elas lideram os piores índices de empregabilidade, saúde, renda. Para transformar a sociedade precisamos mexer a base da pirâmide. Tem muitas questões estruturais que precisam ser mudadas. Falar diversidade é uma guarda-chuva gigante, pois a população obras é plural e não é representada dessa forma.

Mulheres negras têm a menor renda mensal entre os trabalhadores com ensino superior: R$ 2.918,27. Em 1º, estão os homens brancos graduados (R$ 6.702,00), seguidos de homens negros graduados (R$ 4.810,00) e mulheres brancas graduadas (R$3.981,00).

Reprodução: www.pretalab.com/dados | Fonte: Instituto Locomotiva (2017).

 

“Mulheres negras e brancas não partem do mesmo lugar. Além de enfrentarem o machismo, as mulheres negras também têm que lidar com o racismo.”

 

Futura: A Pesquisa “Cracking the code: Girls’ and women’s education in science, technology, engineering and mathematics”, divulgada em 2017 pela ONU Mulheres, mostra que 74% das mulheres se interessam por ciência, tecnologia, engenharia e matemática. No entanto, apenas 30% delas se tornam pesquisadoras nessas áreas. Para as que ingressaram no mercado de trabalho, 27% sentem que não estão evoluindo em suas carreiras, enquanto 32% desistem em até um ano depois de concluída a graduação. Por que isso acontece?

Silvana: Duas questões são fundamentais: uma é o acesso e a outra é a permanência. Em geral, essas áreas são ambientes muito masculinos e acabam se tornando um ambiente hostil para muitas mulheres. Precisamos criar políticas para que as mulheres não só entrem, mas permaneçam neste mercado. A universidade e os centros formais de educação precisam repensar essa questão da diversidade. Precisamos criar políticas de inclusão e de estímulo.

Nós, do PretaLab, criamos um canal no Youtube chamado “Computação sem Caô”, em que a ideia é aproximar mulheres desse discussão de tecnologia, muitas vezes distante da sua realidade, e estimular que elas possam entender melhor este conteúdo. Acho que esse “mito” da meritocracia afastam as mulheres destes espaços. É importante estimular políticas publicas de educação nesses espaços de formação. Vemos o interesse dessas mulheres em querer saber mais sobre esses conteúdos e compartilhar o que elas sabem.

Futura: Uma das conclusões que vocês chegaram na pesquisa “Quem Coda o Brasil” é que as pessoas que trabalham com tecnologia contempladas na pesquisa estão em situação de privilégio em comparação com a população do país: são mais jovens, possuem maior rendimento mensal, apresentam mais tempo de escolaridade.  Mais de 60% dos respondentes apresentam renda mensal domiciliar a partir de 5 salários mínimos, ou seja, R$ 4.770,00 (valor em 2019). Por que existe essa desigualdade?

Silvana: A tecnologia é sempre vista como uma pauta da elite. A realidade é que muitas famílias são matriarcais e as mulheres têm que parar de estudar para cuidar do filho. Estamos, talvez, numa primeira geração de pessoas que foram para universidades devido a políticas afirmativas.

 

“As mulheres negras compõem a base da pirâmide: elas lideram os piores índices de empregabilidade, saúde, renda.”

 

Eu, por exemplo, sou a primeira pessoa da minha família a ir para uma universidade. A minha mãe só estudou até o ensino médio e hoje trabalha como cuidadora, empregada doméstica. Eu, consegui ir até o mestrado e hoje trabalho com tecnologia, graças a essas políticas de inclusão. Pensar em incluir mais mulheres negras na tecnologia, tanto na educação, tanto no trabalho pode ser transformador. O meu objetivo é mostrar o quanto a tecnologia pode ser algo para transformar e melhorar a vida das pessoas e não só acirrar a desigualdade, como é hoje.

Futura: Além da questão social, quais os impactos econômicos que trazer mais diversidade para as áreas de inovação e tecnologia pode trazer para a nossa economia?

Silvana: Algumas pesquisas mostram como a diversidade impacta nos lucros das empresas. Se temos equipes mais diversas dentro das organizações, que podem ter outros olhares para somar o que já é produzido, teremos vários resultados financeiros. Para as empresas, é fundamental ter diversidade porque isso impacta a vida de todo mundo. Cada vez, as grandes corporações, formado por um grupo seleto, é que ditam a tecnologia mundial e não levam em consideração os sabores locais e o conhecimento local.

Futura: O que deve ser feito para permitir mais diversidade nas áreas tecnológicas?

Silvana: A gente tem muito trabalho pela frente. Acho que os gestores devem se preocupar em como incluir mais pessoas diversas nos seus respectivos projetos. É tratar a diversidade pensando a pluralidade que é o Brasil. A primeira forma é olhar para a pauta de diversidade como um problema social e pensar em como incluir mais pessoas. Isto, em todas as instâncias, governos, universidades e empresas.

 

“A tecnologia é sempre vista como uma pauta da elite.”

 

Futura: Como é hoje o mercado na área de exatas para mulheres negras no Brasil?

Silvana: Eu acho que o mercado entendeu que é importante ter mulheres negras, mas eu acho que o mercado ainda não está preparado para receber essas mulheres. É preciso criar políticas para que as mulheres permanecem neles. Muitas vezes, ouço de empregadores que é difícil encontrar mulheres desenvolvedoras negras. Mas o que tenho visto é que as mulheres negras estão m interessadas nessa pauta e cada vez mais estão buscando mais formação nessa área. A nova ferramenta da PretaLab nasceu justamente para aproximar os empregadores dessas mulheres negras especialistas tecnologia.

No site do PretaLab, há uma aba chamada “Perfis” em que mulheres negras de todo Brasil podem se cadastrar de graça nas mais diferentes especialidades: cientista de dados, desenvolvedores, engenharias, analistas de sistemas, design, estatísticas, jornalistas, ux, comunicação digital, pesquisa, biologia.  A plataforma tem o perfil, uma biografia das meninas e o contato direto para rede delas. É importante ressaltar que está mercado de tecnologia e inovação está crescendo e as mulheres negras, que compõe um parte significativa da população (27%) não podem ser excluídas.

 

Fonte: Canal Futura

 

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