“A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade” Carla Torres, designer de moda, criadora da Africanize, em Curitiba – PR. “Gosto muito de dizer que […]

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A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade”

Carla Torres, designer de moda, criadora da Africanize, em Curitiba – PR. “Gosto muito de dizer que sou afro-empreendedora por primeiro, depois designer”, se apresenta Carla.

A Africanize se constitui em meados de 2014, mas o projeto é anterior. Carla Torres se formou em Moda em 2012 e atuava em projetos sociais, “acho que em dado momento foi a junção disso tudo que surgiu a ideia da Africanize”, conta. O empreendimento evidencia a beleza da identidade negra através dos referenciais civilizatórios afro-brasileiros. As peças revelam o encontro da ancestralidade e da contemporaneidade. A sustentabilidade é o princípio da produção inspirada nos ciclos: nada se perde, tudo se transforma.

Fala sobre seu trabalho.

Desenvolvo projetos de design, vestuário e figurinos. Nos acessórios utilizo materiais não convencionais, resíduos têxteis. No que se refere ao vestuário, utilizo algodões africanos, dentre outros materiais orgânicos brasileiros. Mas isso são matérias-primas usadas no desenvolvimento de um conceito: evidenciar nossa negritude brasileira através da estética, da moda. A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade.

Como surgiu a ideia de ser uma empreendedora? Conta um pouco sobre os desafios que você enfrentou ou ainda enfrenta.

Creio que a primeira ideia que tive e que acho que todas as pessoas têm (digo as que são empregadas de modo geral), de que desejam não se submeter ao patrão, chefe e etc… Mas somos um país de formadores de mão-de-obra, então o pensamento de empreendedora veio depois do desejo de empreender. A ideia da Africanize propriamente dita, veio também pela falta, pela não representação em absolutamente nenhum dos espaços de construção de conhecimento, de cultura sendo mulher e negra, de ter a história negra sendo relegada ao olhar branco de nós escravizados ou ex.

No início tudo era muito confuso. Desejo de fazer algo, sem saber muito bem o que e como, depois o medo de saber se o que seria possível fazer seria compatível com o mercado, ou seja, as pessoas iriam se interessar?

A Africanize vai fazer três anos logo mais e apesar de saber muito melhor o que quer fazer e o que pode fazer do que no início, de saber que existe uma ótima aceitação pelas pessoas e com o tempo se aprimorar e não se apropriar da cultura africana como se fosse nossa, mas ao mesmo tempo investigar nossas raízes. Acho que esse é o desafio maior, pois há pouco podemos falar em acesso mínimo ao conhecimento não eurocêntrico.

Qual seu plano de negócio e/ou metodologia para o desenvolvimento de seu trabalho?

Primeiro o caos (hehehe) brincadeira. Adoro metodologias, medidas, parâmetros, apesar de sempre propor novos, misturá-los, desafiá-los. Penso que tudo tem um modo certo de fazer e depois penso que pode existir outros modos melhor de fazer determinada coisa, mas o plano de negócios que mais gosto é o Canvas, como primeiro, como pra ter uma ideia geral além de poder modificá-lo, acrescentar coisas, etc. Gosto de uma metodologia chamada Estratégia Futura que aprendi num curso para afro-empreendedores que fiz na Endeavor, em 2016. Nesta metodologia você consegue visualizar tudo que vai fazer, mas definindo prioridades, tempos, etapas.

Sou multifocal, faço diversas coisas quase que de modo simultâneo. Isso dá certo porque sou mesmo multifocal e porque desde muito tempo venho fugindo da pobreza (isso não significa que eu esteja almejando a riqueza, ao menos não neste padrão capitalista de medida de sucesso). Além da manutenção da marca e do trabalho neste tempo de imensa crise política, nossa sobrevivência depende do dinheiro, por isso muitos trabalhos ao mesmo tempo, pra ainda tentar garantir o mínimo da sobrevivência.

Diferente da maioria dos empreendedores no nosso país (falo destes com E maiúsculo) a maioria que fez curso de ensino médio particular, universidade pública e possui capital inicial de algum modo, seja emprestando de familiares, seja tendo créditos em bancos, enfim, a realidade dos microempreendedores individuais é bem diferente, de um modo geral, iniciamos com capital zero ou muitas vezes um pequeno investimento vindo de rescisões contratuais de empregos anteriores. No meu caso, foi com capital zero, então gerar o chamado capital de giro é algo bem complexo e difícil quando não existe esse aporte inicial para o negócio.

Como está, atualmente, o andamento de seu negócio?

A Africanize está passando a ser referência em Curitiba sobre trabalhos afrocentrados e começando a expandir para outros lugares para além de Curitiba. Atualmente a Africanize participa da ANAMAB (auxilia no desenvolvimento da moda afro brasileira, com ações, encontros, parcerias, estudos e incentivos) com sede na Bahia. Então a ideia é estar onde for possível e mostrar o quanto nossa origem é bela, forte e rica!

Como os possíveis clientes se comportam ao ter o conhecimento de que você é negra?

Inevitável não pensar sobre isso, pois o nome já revela tudo de cara. Para as pessoas que não se identificam, ninguém perde tempo, nem quem não tem interesse, nem eu de tentar despertar o interesse da pessoa. Agora de modo geral, gosto muito da reação das pessoas quando entram em contato com algum trabalho ou projeto da Africanize.

Os outros se surpreendem ou não esperam que eu seja designer, mais do que ao saber que o negócio é tocado por uma negra. Não porque nos meus projetos haja design, acho mesmo que muito pelo contrário. Penso que provoca uma confusão as pessoas associarem uma mulher negra com a profissão designer.

O que você espera do futuro de seu negócio? De que forma pensa em expandi-lo?

Pretendo que se expanda como negócio para o Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia até 2018, mas que também se torne um negócio social, ou seja, que o modelo de negócios possa se expandir para grupos e pessoas que podem ser mais que mão-de-obra pro grande mercado capital.

Que tal você deixar uma mensagem às demais pessoas negras que também tenham interesse em se tornar empreendedoras.

Se tornem empreendedoras, e pensem nas questões negras no seu negócio. Somos a maioria da população, temos que perceber que temos o poder e precisamos nos apropriar devidamente disso.

Carla Torres | Africanize

Casa 102 – Alameda Júlia da Costa, 102 – São Francisco – Curitiba – PR

facebook/aafricanize

instagram – @africanize.ecodesign

aafricanize@gmail.com

whats 41 99841 2071

Fotografias

Espetáculo Macumba: Uma Gira Sobre Poder (Figurinos e adereços: Carla Torres – Africanize)

Ensaio Coletivo FAG

 VIDEO COLETIVO FAG (Farrapo, Africanize, Oficina da Gasp)

https://www.youtube.com/watch?v=iRlZP4q8VUI

Minutagem: Africanize a partir de 0:17

Vídeos do programa é Cultura da é-Paraná

http://www.e-parana.pr.gov.br/modules/video/arquivoVideos.php?cat=36

“A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade” Carla Torres, designer de moda, criadora da Africanize, em Curitiba – PR. “Gosto muito de dizer que […]

A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade”

Carla Torres, designer de moda, criadora da Africanize, em Curitiba – PR. “Gosto muito de dizer que sou afro-empreendedora por primeiro, depois designer”, se apresenta Carla.

A Africanize se constitui em meados de 2014, mas o projeto é anterior. Carla Torres se formou em Moda em 2012 e atuava em projetos sociais, “acho que em dado momento foi a junção disso tudo que surgiu a ideia da Africanize”, conta. O empreendimento evidencia a beleza da identidade negra através dos referenciais civilizatórios afro-brasileiros. As peças revelam o encontro da ancestralidade e da contemporaneidade. A sustentabilidade é o princípio da produção inspirada nos ciclos: nada se perde, tudo se transforma.

Fala sobre seu trabalho.

Desenvolvo projetos de design, vestuário e figurinos. Nos acessórios utilizo materiais não convencionais, resíduos têxteis. No que se refere ao vestuário, utilizo algodões africanos, dentre outros materiais orgânicos brasileiros. Mas isso são matérias-primas usadas no desenvolvimento de um conceito: evidenciar nossa negritude brasileira através da estética, da moda. A ideia é afrografar a moda brasileira e ao mesmo tempo revelar a cultura negra brasileira a partir de outro olhar, a partir da perspectiva negra e na busca de encontrar ou buscar nos identificar com nossa ancestralidade.

Como surgiu a ideia de ser uma empreendedora? Conta um pouco sobre os desafios que você enfrentou ou ainda enfrenta.

Creio que a primeira ideia que tive e que acho que todas as pessoas têm (digo as que são empregadas de modo geral), de que desejam não se submeter ao patrão, chefe e etc… Mas somos um país de formadores de mão-de-obra, então o pensamento de empreendedora veio depois do desejo de empreender. A ideia da Africanize propriamente dita, veio também pela falta, pela não representação em absolutamente nenhum dos espaços de construção de conhecimento, de cultura sendo mulher e negra, de ter a história negra sendo relegada ao olhar branco de nós escravizados ou ex.

No início tudo era muito confuso. Desejo de fazer algo, sem saber muito bem o que e como, depois o medo de saber se o que seria possível fazer seria compatível com o mercado, ou seja, as pessoas iriam se interessar?

A Africanize vai fazer três anos logo mais e apesar de saber muito melhor o que quer fazer e o que pode fazer do que no início, de saber que existe uma ótima aceitação pelas pessoas e com o tempo se aprimorar e não se apropriar da cultura africana como se fosse nossa, mas ao mesmo tempo investigar nossas raízes. Acho que esse é o desafio maior, pois há pouco podemos falar em acesso mínimo ao conhecimento não eurocêntrico.

Qual seu plano de negócio e/ou metodologia para o desenvolvimento de seu trabalho?

Primeiro o caos (hehehe) brincadeira. Adoro metodologias, medidas, parâmetros, apesar de sempre propor novos, misturá-los, desafiá-los. Penso que tudo tem um modo certo de fazer e depois penso que pode existir outros modos melhor de fazer determinada coisa, mas o plano de negócios que mais gosto é o Canvas, como primeiro, como pra ter uma ideia geral além de poder modificá-lo, acrescentar coisas, etc. Gosto de uma metodologia chamada Estratégia Futura que aprendi num curso para afro-empreendedores que fiz na Endeavor, em 2016. Nesta metodologia você consegue visualizar tudo que vai fazer, mas definindo prioridades, tempos, etapas.

Sou multifocal, faço diversas coisas quase que de modo simultâneo. Isso dá certo porque sou mesmo multifocal e porque desde muito tempo venho fugindo da pobreza (isso não significa que eu esteja almejando a riqueza, ao menos não neste padrão capitalista de medida de sucesso). Além da manutenção da marca e do trabalho neste tempo de imensa crise política, nossa sobrevivência depende do dinheiro, por isso muitos trabalhos ao mesmo tempo, pra ainda tentar garantir o mínimo da sobrevivência.

Diferente da maioria dos empreendedores no nosso país (falo destes com E maiúsculo) a maioria que fez curso de ensino médio particular, universidade pública e possui capital inicial de algum modo, seja emprestando de familiares, seja tendo créditos em bancos, enfim, a realidade dos microempreendedores individuais é bem diferente, de um modo geral, iniciamos com capital zero ou muitas vezes um pequeno investimento vindo de rescisões contratuais de empregos anteriores. No meu caso, foi com capital zero, então gerar o chamado capital de giro é algo bem complexo e difícil quando não existe esse aporte inicial para o negócio.

Como está, atualmente, o andamento de seu negócio?

A Africanize está passando a ser referência em Curitiba sobre trabalhos afrocentrados e começando a expandir para outros lugares para além de Curitiba. Atualmente a Africanize participa da ANAMAB (auxilia no desenvolvimento da moda afro brasileira, com ações, encontros, parcerias, estudos e incentivos) com sede na Bahia. Então a ideia é estar onde for possível e mostrar o quanto nossa origem é bela, forte e rica!

Como os possíveis clientes se comportam ao ter o conhecimento de que você é negra?

Inevitável não pensar sobre isso, pois o nome já revela tudo de cara. Para as pessoas que não se identificam, ninguém perde tempo, nem quem não tem interesse, nem eu de tentar despertar o interesse da pessoa. Agora de modo geral, gosto muito da reação das pessoas quando entram em contato com algum trabalho ou projeto da Africanize.

Os outros se surpreendem ou não esperam que eu seja designer, mais do que ao saber que o negócio é tocado por uma negra. Não porque nos meus projetos haja design, acho mesmo que muito pelo contrário. Penso que provoca uma confusão as pessoas associarem uma mulher negra com a profissão designer.

O que você espera do futuro de seu negócio? De que forma pensa em expandi-lo?

Pretendo que se expanda como negócio para o Rio de Janeiro, São Paulo e Bahia até 2018, mas que também se torne um negócio social, ou seja, que o modelo de negócios possa se expandir para grupos e pessoas que podem ser mais que mão-de-obra pro grande mercado capital.

Que tal você deixar uma mensagem às demais pessoas negras que também tenham interesse em se tornar empreendedoras.

Se tornem empreendedoras, e pensem nas questões negras no seu negócio. Somos a maioria da população, temos que perceber que temos o poder e precisamos nos apropriar devidamente disso.

Carla Torres | Africanize

Casa 102 – Alameda Júlia da Costa, 102 – São Francisco – Curitiba – PR

facebook/aafricanize

instagram – @africanize.ecodesign

aafricanize@gmail.com

whats 41 99841 2071

Fotografias

Espetáculo Macumba: Uma Gira Sobre Poder (Figurinos e adereços: Carla Torres – Africanize)

Ensaio Coletivo FAG

 VIDEO COLETIVO FAG (Farrapo, Africanize, Oficina da Gasp)

https://www.youtube.com/watch?v=iRlZP4q8VUI

Minutagem: Africanize a partir de 0:17

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http://www.e-parana.pr.gov.br/modules/video/arquivoVideos.php?cat=36

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